Uma vendedora, de 38 anos, denunciou um técnico de uma concessionária de energia por assédio após realizar uma manutenção programada na casa dela. O funcionário entrou em contato por um aplicativo de mensagens, pediu fotos e disse que sairia com ela em troca de benefícios.

O caso ocorreu nesta semana, e foi confirmado pelo G1 nesta sexta-feira (10). Moradora da Vila Áurea, ela estava saindo de casa quando foi abordada pelos funcionários. Uniformizados como técnicos da CPFL, informaram que o imóvel havia sido selecionado para inspeção.

Ela permitiu que eles fossem até à residência, onde, após uma vistoria, relataram que o relógio de medição precisava ser trocado por ser antigo. A vendedora chegou a assinar um formulário da empresa em branco, antes de os técnicos irem embora, e não recebeu nenhuma via.

Após a saída da casa, um deles a chamou no WhatsApp. Imagens da conversa obtidas mostram que técnico diz que o relógio de medição estava adulterado, e sugere que o laudo assinado fosse alterado ou rasgado, podendo ser feito um novo sem constatar o problema.

Em contrapartida, o funcionário pede “alguma coisa em troca”. Em seguida, a chama de “linda”, diz querer sair com ela e, ainda, pede uma foto da vendedora. Ao notar o assédio, a vítima nega as investidas. “Eu amo meu noivo. Não vou mandar foto para você mudar o laudo”, escreveu.

A vendedora encerra a conversa dizendo que acionará advogados e que resolverá o possível problema detectado em uma agência da concessionária. Depois, bloqueia o contato.

A a vendedora compareceu à Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) da cidade, com as imagens da conversa. Entretanto, após ficar por sete horas na unidade, ouviu que o fato não caracterizava crime, e que por isso, um boletim de ocorrência não poderia ser registrado.

Sobre a situação, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) declarou que “devido à inexistência de relação de subordinação hierárquica, não foi possível enquadrar tal ato dentro dessa modalidade criminosa”, e que a delegada a orientou a procurar a delegacia em caso de novas abordagens.

Já a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) Piratininga, a concessionária de energia, confirmou por meio de comunicado à imprensa a inspeção, onde foi constatada irregularidades, e que os funcionário, incluindo o que trocou mensagens, pertencem a uma empresa terceirizada.

A empresa declarou repudiar atos que coloquem em risco a segurança ou cause constrangimento aos clientes, e reforçou que, se constatado desvios de conduta de colaboradores das fornecedoras de serviços, tomará medidas cabíveis. A concessionária não informou se o técnico foi demitido.